18 de julho de 2026
Logo que chegamos no Aeroporto de Narita nos dirigimos ao serviço de “delivery de malas”, conhecido como Takuhaibin ou Takkyubi, um serviço de entregas expressas que permite que você despache suas malas, principalmente as maiores, de forma segura, entre as principais cidades, através dos hotéis, lojas de conveniência (7 Eleven) e aeroportos. Elas são entregues no dia seguinte, no local indicado; você fica apenas com as bagagens de mão, o que facilita muito a utilização do transporte público, em especial o trem bala. As empresas mais conhecidas são a Yamato Transport (que tem no logotipo um gato preto) e a Sagawa Express. O valor cobrado varia de 2.000 a 3.500 ienes (70 a 120 reais). Nós chegamos à noite em Tóquio e despachamos as malas para Hiroshima, que é bem longe. Ele é considerado o melhor serviço de entrega do mundo. Se você optar por não despachar as malas, mas apenas deixá-las por algumas horas, pode utilizar os guarda-volumes automáticos (coin lockers) que estão disponíveis em todas as estações de trem e podem ser pagos com os cartões de transportes IC (como o Suíca ou Pasmo).
Os três principais meios de locomoção no Japão, principalmente nas grandes cidades, é o transporte sobre trilhos.
Há uma empresa principal, chamada JR, que praticamente domina todos os percursos de pequena e média distância, por meio de trens; dentro das cidades a maior utilização fica com as linhas de metrô, que abrangem todas as cidades maiores.
Para a utilização desses meios de transporte, e também dos ônibus, fomos aconselhados a baixar o aplicativo do SUÍCA no celular. É possível carregá-lo com qualquer cartão digital do seu celular e assim, fica muito mais fácil viajar tanto de trem como de metrô ou ônibus. É só passar o celular na catraca e passar. Ele só não serve para ser utilizado no trem bala, que exige compra de passagem específica para utilização.
Normalmente, a compra de passagens nas estações é feita em máquinas. Em alguns casos, para quem não conhece, há a necessidade de comprar duas passagens para viajar num determinado tipo de trem; com o cartão não existe esse problema.
Para as viagens mais longas, como as linhas Tokaido e Tohoku, ligando grandes metrópoles, os trajetos são feitos de trem bala, conhecido como Shinkansen, série E5, H5, E6 e N700S. Eles atingem velocidades de 320 quilômetros por hora, como, por exemplo, as ligações entre Tóquio, Osaka, Kyoto, Osaka, Hiroshima, etc. Nós fizemos, de trem bala, Tóquio-Hiroshima, Hiroshima-Osaka e, daí, para Tóquio novamente.
As viagens são pontuais, seguras, confortáveis e silenciosas, com o preço variando conforme a distância, entre 6.000 a 20.000 ienes por trecho (R$ 200,00 a R$ 650,00). Uma viagem de Tóquio a Kyoto sai por R$ 520,00. Caso o turista queira, pode comprar o Japan Rail Pass (JR Pass), válido por sete dias e custa aproximadamente R$ 1.800,00. Outros meios de transporte muito utilizados e a preços acessíveis são os táxis e os ubers, com uma regra: não se pode dar o dinheiro direto na mão do motorista, devendo ser colocado numa bandeja, sendo assim também nos comércios.
Alguns emblemas são vistos nos táxis: Trevo de três folhas – símbolo da empresa Yasaka em Kyoto que significa “segurança, conforto e confiança”; e Trevo de quatro folhas, muito mais raro e conhecido como o “táxi da sorte”.
A mão de direção no Japão é a inglesa, o que dificulta a condução de veículos. Nossa carteira de habilitação, mesmo a internacional, não é aceita lá. Há um passeio turístico de kart pela cidade, mas nós não pudemos participar por este motivo. As infrações de trânsito são punidas severamente, como, por exemplo, se a pessoa for surpreendida dirigindo alcoolizada: ela perde a carteira de habilitação e recebe multa de aproximadamente R$ 30.000,00. Possivelmente nunca mais conseguirá renovar a sua carteira, pelo antecedente.
Uma regra de trânsito interessante diz respeito ao estacionamento de carro: é permitido estacionar em qualquer lugar na rua, desde que o motorista permaneça dentro do carro. Os pedestres são totalmente obedientes às regras de trânsito e de convivência; não atravessam a rua se o farol estiver vermelho, ainda que não venha nenhum carro, bem como não adentram ao trem ou metrô enquanto o último passageiro não sair.
Ainda relacionado ao trânsito e veículos, todos os carros com mais de 100.000 quilômetros de uso devem ser levados a um desmanche, onde serão destruídos. Esse serviço é pago pelo proprietário.
Outro aspecto importante diz respeito ao trabalho. No Japão, a busca por emprego é denominada “shushoku katsudô”. O trabalho mais comum é em regime de meio período ou temporário, mais comum em lojas, restaurantes e konbini (lojas de conveniência japonesa aberta 24 horas), que é o primeiro passo, pois não há qualquer benefício para o trabalhador; ele só recebe as horas trabalhadas. Se faltar, não ganha. Este formato recebe o nome de Arubaito ou Baito.
O outro tipo de serviço é o Haken, que também é um funcionário temporário, mas enviado por agências de trabalho, no mesmo sistema anterior. Os trabalhos fixos, de tempo integral, com o funcionário sendo efetivado, através de contrato direto e benefícios, são chamados de Seishain, sendo o objetivo de todos os trabalhadores, mas só conseguem aqueles que são muito produtivos, assíduos e eficazes em seus serviços. Na realidade, é um prêmio para os mais competentes.
O maior feriado no Japão é o Golden Week, que é a junção de quatro feriados nacionais no final de abril e começo de maio, os quais, juntamente com os finais de semana, causam uma grande aglomeração de pessoas nas grandes cidades.
Outro diferencial que chama muito a atenção é o grande número de restaurantes nas grandes cidades, bem como a variedade, tanto com relação aos preços como aos países de origem. Além dos especializados em comida japonesa tradicional encontram-se franceses, italianos, coreanos e brasileiros; todos com preços convidativos, independentemente da categoria.
Tóquio é a cidade no mundo que tem mais restaurantes estrelas Michelin. Um local imperdível para jantar é o Barbacoa, no bairro de Shibuya, o único da rede que tem e serve a autêntica picanha wagyu japonesa. Fomos atendidos por um brasileiro conhecido por Val, do Piauí, cujo atendimento foi excelente. Outro detalhe importante diz respeito ao preço, bem inferior ao Barbacoa de São Paulo. Lá não existem as taxas sobre as contas e não se pode dar gorjeta ao garçom.
Finalmente, aconselho a quem vai viajar pela primeira vez ao Japão, que contrate um guia para ajudá-lo em várias situações. Como fui muito bem atendido, indico a empresa “Guia Partiu Japão“, que tem Instagram, contando com o apoio dos guias Clint, Fernanda e Leonardo (Kyoto e Osaka) e Toti, Mayara e Gabriela (Tóquio).



