Operação americana na Venezuela, prisão do presidente e esposa – 2.

1 de abril de 2026

A primeira operação foi em 1901, conhecida como “Cavalo de Troia”, e ocorreu durante a Guerra filipino-americana visando aprisionar o líder revolucionário Emilio Aguinaldo, que se encontrava escondido numa selva remota chamada Palanan. Os EUA haviam comprado as Filipinas mas os nativos queriam a independência. O General Frederick Funston enviou um comando de elite para lá, fingindo-se de prisioneiros de guerra, guiados por soldados nativos apoiadores dos americanos chamados macabebe scouts, daí o nome da operação que conseguiu deter o líder.

Em 1989, no dia 20 de dezembro, através da “Operação Justa Causa”, os americanos bombardearam severamente a cidade do Panamá, causando cerca de 2.500 mortes, culminando com a captura do ditador Manuel Noriega, acusado de ser narcotraficante. Depois de se evadir através de vários imóveis bombardeados, buscou refúgio na Embaixada do Vaticano, em 24 de dezembro de 1989, mas acabou se rendendo em 3 de janeiro de 1990; foi usada contra ele a tática de não deixar dormir por meio de uma barreira de alto-falantes gigantescos, apontada para a janela do seu quarto, que tocava rock muito alto de bandas de heavy metal. Ele se rendeu em trajes militares e foi levado para a Flórida, sendo julgado pelos americanos; ou seja, nem o Papa salvou Noriega.

Em 2003, após a invasão do Iraque ordenada por George W. Bush (filho), com apoio do Reino Unido e sob alegação que o regime do ditador Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, as quais nunca foram encontradas, começou a caça para encontrar o ditador, que foi preso escondido em um pequeno bunker subterrâneo, apelidado de “buraco de aranha”. Ao contrário de Noriega e Maduro, ele não foi levado para os EUA, sendo julgado no próprio Iraque e condenado à morte por enforcamento pela prática de crimes contra a humanidade, no ano de 2006.

Além de ditadores/narcotraficantes, tivemos a captura de um terrorista, em território estrangeiro, em tese aliado dos EUA.

Em 11 de setembro de 2001 ocorreram vários ataques aéreos contra os EUA, cujo mentor foi Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, o qual passou a ser um dos homens mais procurados de todos os tempos. Inicialmente, houve uma guerra convencional contra o Afeganistão visando derrubar o regime Talibã e, em seguida, iniciou-se uma busca obsessiva pela cabeça de Bin Laden, através da Operação Neptune Spear (Lança de Netuno), em maio de 2011, no Paquistão.

Os Estados Unidos invadiram o espaço aéreo do Paquistão e localizaram Bin Laden numa mansão fortificada, com vários seguranças, sem ter qualquer comunicação ou autorização do país, sendo que Washington justificou a não comunicação, pois poderia haver vazamento de informações. Apesar da ordem oficial permitir a sua rendição, ele foi executado de imediato e seu corpo nunca mais foi visto. Segundo os EUA, ele foi jogado no Mar da Arábia, utilizando-se da estratégia de “apagamento”, pois um local físico com o corpo poderia se tornar um santuário de peregrinação para os extremistas.

Agora vamos tratar das acusações contra Maduro nos EUA.

Os crimes constantes da atual denúncia contra ele são os mesmos da anterior, feita em Nova York em 2020, ou sejam: narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração; contudo, os réus listados são um pouco diferentes, eis que incluíram a sua esposa Cília Flores, o seu filho Nicolás Maduro Guerra e dois funcionários do regime venezuelano, além de um líder do Tren de Aragua, que é uma gangue venezuelana classificada por Trump como organização terrorista estrangeira.

Consta que ele e seus aliados transformaram as instituições venezuelanas em foco de corrupção alimentada pelo narcotráfico, em benefício próprio e das autoridades políticas locais envolvidas, ao mesmo tempo que beneficiaram narcoterroristas que operam impunemente naquele país produzindo e transportando toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Nesse período, Maduro e sua esposa também comandaram suas próprias gangues patrocinadas pelo Estado, ordenando sequestros, espancamentos e assassinatos daqueles que lhes deviam dinheiro ou tentavam interferir em suas operações com o tráfico de drogas.

Na primeira audiência, no Tribunal Federal de Nova York, ele se declarou inocente e alegou que foi sequestrado no seu próprio país, declarando ainda que continua sendo presidente da Venezuela. Mesmo assim, e apesar desses argumentos, de acordo com as opiniões de especialistas, a situação dele não é nada favorável.

A próxima audiência foi designada para o próximo dia 17 de março, a qual é exclusivamente de natureza processual. Certamente, nessa oportunidade seus advogados apresentarão esses argumentos, como a ilegalidade de sua prisão e a sua imunidade como chefe de Estado, os quais poderão ter validade a nível internacional mas certamente não produzirão efeito prático nos EUA em razão de dois motivos principais: primeiro, que o governo americano não o reconhece como presidente da Venezuela, em razão das fraudes eleitorais, pois ele não apresentou as atas das eleições; segundo, os americanos alegam que houve uma operação legal de prisão, para aplicação da lei, com a leitura de seus direitos e posterior retirada do país, mas não a invasão ou ocupação do país, e justificam a ação militar em razão dos riscos à segurança dos agentes num país não amistoso.

Após essas audiências preliminares, o caso será submetido ao Grand Jury, que avaliará se existem indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal, com o seu indiciamento e início do julgamento propriamente dito, com a formação do júri, apresentação de provas, oitiva de testemunhas, atuação da acusação e da defesa, finalizando com a sentença. No caso de ser condenado, ele poderá pegar prisão perpétua, pois as penas por tráfico de droga nos EUA começam a partir de 10 anos e podem ser dobradas ou triplicadas, dependendo das consequências do crime, como por exemplo uma morte por conta do uso da droga.

Como ele responde por vários crimes graves, se condenado receberá múltiplas penas, que na somatória final poderão resultar em sanção total de mais de uma prisão perpétua. Com relação a uma possível aplicação da pena de morte, em princípio não seria cabível pois ela só é imposta quando há prática de homicídio ou crimes capitais, em razão ou como continuidade ao tráfico de drogas, crimes esses que até o momento não foram objeto da denúncia.

Finalizando este artigo, me dirijo àqueles que são contra a prisão, extradição e o devido processo legal contra Maduro, alegando que o objetivo é somente o petróleo da Venezuela, relacionando alguns dados obtidos e comprovados das suas ações ilegais: ganhou 8 bilhões de dólares por ano com o narcotráfico, 36.800 torturados, 18.305 presos políticos, 468 mortos em protestos, 8 milhões de exilados, 8.000 violações de direitos humanos, 400 meios de comunicação censurados, 90% de pobreza e 50% de marginalizados.