18 de março de 2025
Neste mês discorreremos sobre outro importante personagem da história mundial, John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos da América.
Mas antes de falarmos sobre a sua trajetória militar, política e pessoal, necessário fazer um destaque sobre a saga desta família, abrangendo tanto as tragédias pelas quais passou, que alguns até chamam de maldição, como também as suas glórias e vitórias.
O clã Kennedy era composto pelo pai Joseph P. Kennedy (1888-1969) um empresário milionário de origem irlandesa que foi embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido. Era casado com Rose Elizabeth Fitzgerald (1890-1995), oriunda também de família rica e de políticos, pois seu pai foi prefeito e deputado em Boston. O casal teve nove filhos: Joe Kennedy Jr (1915-1944), John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), Rosemary Kennedy (1918-2005), Kathleen Kennedy (1920-1948), Eunice Kennedy (1921-2009), Patrícia Kennedy (1924-2006), Robert Kennedy (1925-1968), Jean Kennedy (1928-2020) e Edward “Ted“ Kennedy (1932-2009).
A história narra que apenas Eunice, Patrícia e Jean não morreram de forma trágica ou não tiveram tragédia na família.
O primogênito Joe, que estava sendo preparado para ser presidente dos Estados Unidos, era piloto na Segunda Guerra e foi voluntário para pilotar um avião carregado de explosivos até Calais, na França. No percurso, o avião explodiu; até hoje seu corpo não foi encontrado.
Rosemary teve falta de oxigênio no cérebro no seu nascimento, ocasionando incapacidades intelectuais, o que motivou seu pai, quando ela tinha apenas 23 anos, a submetê-la a uma lobotomia. O resultado foi desastroso, pois ficou sem poder caminhar e falar, passando a viver escondida em instituições de saúde até a sua morte, aos 64 anos.
Kathleen morreu num acidente de avião, juntamente com o namorado, quando se dirigia para o sul da França. Antes, ela fora casada com um militar inglês que morreu na Bélgica na Segunda Guerra Mundial.
Robert Kennedy, conhecido como Bobby Kennedy, foi senador, secretário e procurador-geral no governo de seu irmão John, antes de ser assassinado com três tiros em 6 de junho de 1968 pelo imigrante palestino Sirhan Sirhan, na cozinha do Ambassador Hotel, em Los Angeles, quando fazia sua campanha já vitoriosa, pelo Partido Democrata, à presidência dos Estados Unidos.
Ted Kennedy sofreu um acidente de carro em 1969, quando era senador, o qual resultou na morte de sua companheira Mary Jo; ele abandonou o local sem prestar socorro à vítima. Foi condenado a dois meses de prisão com suspensão da pena. Esse fato influiu negativamente na sua carreira política. Ele é o único dos irmãos que não morreu de um evento trágico.
Os herdeiros também não escaparam de mortes trágicas, como o filho mais velho do presidente Kennedy, John Jr.,que morreu com 38 anos, juntamente com a sua esposa e cunhada, em um acidente de avião em 1969. A última tragédia noticiada ocorreu com a neta de Robert “Bobby“ Kennedy, Saoirse Kennedy, em 2019, que morreu de overdose com apenas 22 anos.
Importante destacar que os pais presenciaram todas essas tragédias, com exceção da ocorrida com a neta.
Por último deixamos a maior tragédia para o final do artigo, ligada ao personagem mais importante do clã, o presidente John Fitzgerald Kennedy, que foi assassinado em Dalas, no Texas, no dia 22 de novembro de 1963, no exercício de seu mandato de presidente, realizando o sonho de seu pai.
John Kennedy nasceu no dia 29 de maio de 1917 em Brookline, Massachusetts, e morreu em 22 de novembro de 1963 em Dalas, no Texas. Foi assassinado por Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro com ideias marxistas, o qual foi morto dois dias depois por Jack Ruby. Até os dez anos de idade estudou em sua cidade natal, e em 1927 mudou-se para Riverdale, no Bronx, em Nova York.
Dois anos depois mudaram para Bronxville, também em Nova York, sendo que ele foi escoteiro nessa época por dois anos, sendo o primeiro escoteiro a ser eleito presidente da República.
Em setembro de 1930 foi enviado para um internato de meninos em Canterbury School, quando foi operado de uma crise de apendicite. Em maio de 1934 teve uma crise de colite, ficando vários dias internado. Em 1935, na Inglaterra, foi hospitalizado com icterícia, e, em 1936, foi internado com suspeita de leucemia.
Essas informações sobre as suas internações fazem sentido porque ele sempre teve uma saúde frágil, inclusive com grave problema na coluna, conforme se verá mais à frente.
Em 1936 matriculou-se na Universidade de Harvard, e terminou o seu doutorado em Relações Internacionais em 1940. Neste ano, também fez a sua tese de doutorado intitulada o “Apaziguamento em Munique“, sobre o Acordo de Munique, a qual foi publicada com o título “Why England Slept“ (Por que a Inglaterra dormiu), que se tornou um bestseller.
Um destaque para essa tese, feita com a Segunda Guerra já iniciada, diz respeito ao nosso artigo anterior, no qual poderá ser constatado que essa era a mesma preocupação que Winston Churchill tinha: que a Inglaterra teria que aumentar o seu poderio bélico-militar para poder enfrentar o poderio militar de Hitler, que objetivava dominar a Europa.
Neste período do curso ele viajou para vários países do mundo, como por exemplo para a Europa, Rússia e Oriente Médio; inclusive, numa das viagens, retornou a Londres, onde seu pai era embaixador, no mesmo dia que Hitler invadiu a Polônia, em 1 de setembro de 1939.
Em 1941 se voluntariou para o Exército dos Estados Unidos, mas foi recusado em razão dos seus problemas na coluna. Posteriormente, no mesmo ano, a Marinha o aceitou, por influência do diretor do Escritório de Inteligência Naval, amigo de seu pai.
Com a patente de tenente, começou a trabalhar burocraticamente e estudava na Escola Naval Preparatória dos Oficiais da Reserva e no Torpedo Motor Boat Squadron. Foi quando ocorreu o ataque a Pearl Harbor, sendo ele designado para a frente no Panamá. Em seguida, foi designado para as operações no Pacífico, onde participou de várias missões exitosas, razão pela qual foi promovido a comandante de barco torpedeiro de patrulha, que eram pequenos barcos, muito rápidos, que atacavam navios de grande porte utilizando o fator surpresa.
Em 2 de agosto de 1943, o seu barco PT-109 foi abalroado pelo destroier japonês Amagiri no estreito de Blackett, nas Ilhas Salomão, sendo que Kennedy, apesar de ter lesionado a sua coluna, ajudou os outros dez sobreviventes a chegarem a uma ilha, hoje designada com o seu nome. Por essa ação heroica recebeu a Medalha da Marinha e dos Fuzileiros Navais (Navy e Marine Corps Medal).