A decadência geral e irrestrita do Brasil. Parte 2 – Cultura e Esporte.

15 de outubro de 2026

Antes de iniciar este artigo, gostaria de complementar o anterior em razão dos acontecimentos surgidos nos primeiros dias de setembro com relação ao Banco Master.

As transcrições descobertas pela Polícia Federal e a divulgação pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, envolveram também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o qual, juntamente com o seu filho, viajou para a Inglaterra com o patrocínio de Daniel Vorcaro, do Banco Master; como o Ministério Público é considerado por muitos como o “quarto poder”, não poderia deixar de ser citado.

Acresço, em razão dos últimos acontecimentos no STF, especialmente na reunião que visava autorizar o início da investigação para apurar o possível envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master, principalmente o contrato de 129 milhões de Reais entre o banco e o escritório de sua esposa, nós tivemos um caso raro na área judiciária, ou seja, um ministro, após proferir seu voto, pediu vista para evitar a decisão que caminhava para autorizar a apuração. O resto está na imprensa.

Agora vamos ao assunto do presente artigo.

Érico Veríssimo escreveu, em 1971, a sua última obra, “Incidente em Antares”, em que narra uma greve dos coveiros, deixando os corpos insepultos; estes se revoltam e obrigam os coveiros a voltar ao serviço, procedendo ao sepultamento. A sua premonição deu certo, pois hoje, a Praça dos Três Poderes, em Brasília, está cheia de cadáveres políticos insepultos perambulando por lá, aguardando que os presidentes dos três poderes voltem a trabalhar, cumprindo as suas obrigações constitucionais e enterrando os perniciosos.

No que diz respeito à decadência da nossa cultura, iniciaremos com a Academia Brasileira de Letras, fundada em 20 de julho de 1897, tendo entre seus fundadores, dentre outros, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Olavo Bilac e Visconde de Taunay. Posteriormente, pertenceram ao seu quadro Guimarães Rosa, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Manuel Bandeira, Santos Dumont, Ariano Suassuna além de outros membros ilustres.

Infelizmente, com o decorrer do tempo, algumas figuras de menor calibre cultural adentraram a Academia, principalmente por razões políticas e partidárias, como o ex-presidente José Sarney, que escreveu “Marimbondos de Fogo”, e, antes dele, Getúlio Vargas; hoje temos no seu quadro alguns artistas e jornalistas, militantes de esquerda, os quais, apesar de serem conhecidos, não têm o jaez dos componentes anteriores. Cito, em especial, Míriam Leitão, jornalista da Globo, que há alguns dias atrás soltou uma pérola da literatura, referindo-se à inflação que assola o país: “quando você vai no mercado e vê que as coisas estão caras, não é que estejam caras, é só a sensação de que estão, não misturem as coisas“, procurando defender o indefensável por ser militante. Certamente não veremos, numa escola séria, algum professor mandar interpretar o texto “Marimbondos de Fogo” ou algum livro escrito por ela. Melhor ficar com Machado de Assis.

Na área do entretenimento ocorreu o mesmo, com as novelas e os programas de humor, pois já não temos boas novelas, bons escritores, bons humoristas e bons autores de textos.

Vamos citar algumas e seus autores: “Roque Santeiro”, de Dias Gomes; “Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa; “Avenida Brasil”, de João Emmanuel Carneiro; “Gabriela”, baseada na obra de Jorge Amado; “Vale Tudo”, de Gilberto Braga; “Tieta” e “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva. Aqui cito apenas algumas novelas exibidas na Globo, mas tivemos outras, igualmente de sucesso, na Bandeirantes e na Record. Hoje até tentam fazer uns remakes, mas não conseguem repetir o sucesso anterior.

Da mesma forma, podemos citar os programas humorísticos. Hoje não temos, por exemplo, um “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Monteiro Lobato; uma “Escolinha do Professor Raimundo”, criada por Chico Anysio; um “Viva o Gordo”, em que Jô Soares interpretava vários personagens; assim como “Chico Anysio Show” e, finalmente, os “Trapalhões”, com Didi, Dedé, Mussum e Zacharias, que foi o de maior sucesso; e todos atingiam todas as faixas etárias.

Em várias épocas podemos citar outros programas, sendo que alguns permanecem até hoje, como a “Praça da Alegria”, atual “Praça é Nossa”, “Sai de Baixo”, “A Grande Família”, “Balança Mas Não Cai”, “Família Trapo” (Golias e Jô Soares), “Faça Humor não Faça Guerra”, “Planeta dos Homens” e “Veja o Gordo”.

Hoje não se faz piadas envolvendo raças, pois traduz racismo, nem com as opções sexuais das pessoas, pois traduz homofobia. Mas são permitidos pseudos programas humorísticos que somente tratam de sexo, palavrão e traição, sem qualquer conteúdo social. Nos programas acima citados havia o mais importante, o duplo sentido na maioria dos textos.

Agora vamos falar de um assunto mais pertinente a todos, o futebol, em que a decadência moral dos presidentes, principalmente da CBF, criada em 1979, que substituiu a CBD, criada em 1914.

O que aconteceu após João Havelange, que também foi presidente da FIFA, foi algo inimaginável para nós brasileiros:

  1. o substituto de João Havelange foi seu genro Ricardo Teixeira, que apesar de ganhar as copas de 1994 e 2002, renunciou em 2012 e foi banido do futebol pela FIFA em 2019, por suborno, pois teria recebido 8 milhões de dólares de propinas em contratos de competições;
  2. o seu substituto foi José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, que foi preso na Suíça na Operação FIFAGATE (escândalo de corrupção na FIFA), sendo extraditado e condenado nos EUA;
  3. o sucessor de Marin foi Marco Polo Del Nero, que foi banido de qualquer atividade de futebol pela FIFA, devido a acusações de corrupção;
  4. após, veio Rogério Caboclo, afastado da presidência em 2021 por graves denúncias de assédio moral e sexual;
  5. Ednaldo Rodrigues também foi afastado do cargo por decisões judiciais, por suspeitas de fraudes no processo eleitoral da entidade;
  6. Somente o Coronel Nunes, interino, conseguiu completar a sua passagem sem prisão ou afastamento;
  7. Atualmente o presidente é Samir Xaud, eleito em 2025, ex-presidente da Federação Roraimense de Futebol.

O Brasil vai cumprir o maior período sem ganhar uma copa do mundo, ou seja, 28 anos; na última, tivemos nossa pior colocação, 11o lugar. Foi nossa primeira vez com um técnico estrangeiro, certamente porque hoje não temos um técnico capaz de levar a nossa seleção ao lugar onde ela merece; e, também, porque o nível dos nossos jogadores caiu muito, sendo que o nosso último craque reconhecido, Neymar Jr., está se aposentando do futebol.